IBGE-BA: Entre 2019 e 2020, setor cultural baiano perdeu 17,6% dos empregos

Entre 2019 e 2020, o mercado de trabalho na Bahia viu o número de pessoas ocupadas ter uma queda recorde e chegar a seu menor patamar desde 2014. Nas atividades ligadas à cultura não foi diferente, mas a perda de trabalho foi ainda intensa nesse setor.

No ano passado, havia 218 mil pessoas ocupadas no setor cultural baiano. Esse grupo encolheu 17,6% (menos 47 mil trabalhadores) frente a 2019, quando 265 mil pessoas estavam ocupadas em atividades ligadas à cultura, no estado.

Considerando-se toda a população ocupada na Bahia, houve recuo de 14,1% entre 2019 e 2020, com o total de trabalhadores no estado passando de 5,9 milhões para 5,1 milhões (menos 839 mil pessoas em um ano).

A combinação desses dois movimentos fez a participação da cultura na geração de trabalho na Bahia ter uma discreta redução, de 4,4% para 4,3% do total de ocupados, entre 2019 e 2020. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do IBGE.

Ocupação no setor cultural é mais feminina e escolarizada, mas tem grau de informalidade mais alto e rendimento mais baixo que a média

Entre as pessoas ocupadas no setor cultural, na Bahia, em 2020, a maior parte eram mulheres (57,6%); pessoas pretas ou pardas (80,1%); de 30 a 49 anos de idade (52,1%); com ensino médio completo ou superior incompleto (60,4%); e que estavam na informalidade (60,7%).

Na comparação com o total de ocupados no estado, o perfil dos trabalhadores da cultura se distinguia por ser bem mais feminino – elas eram 57,6% na cultura, frente a 41,5% do total de pessoas ocupadas – e escolarizado: 79,8% dos trabalhadores da cultura tinham ao menos o ensino médio completo, frente a 59,1% dos ocupados em geral. Era, porém, mais marcado pela informalidade do que a média: 60,7% dos que trabalhavam na cultura eram informais, frente a 51,2% no total de ocupados.

A alta informalidade certamente contribuía para que os trabalhadores do setor cultural tivessem um rendimento médio mensal mais baixo do que o total de ocupados no estado: R$ 1.246 frente a R$ 1.782 (-30,1%).

E, apesar de serem minoria entre os trabalhadores do setor cultural baiano, os homens ganhavam, em média 41,7% a mais que as mulheres: R$ 1.499 frente a R$ 1.058. A desigualdade salarial por sexo era bem mais expressiva nas atividades da cultura do que entre os trabalhadores em geral: no total de ocupados no estado, os homens ganhavam 28,2% a mais que as mulheres (R$ 1.957 frente a R$ 1.526).

A diferença do rendimento por cor ou raça quase não existia entre os trabalhadores da área cultural na Bahia. Nesse setor, brancos ganhavam em média R$ 1.237, e pretos ou pardos, R$ 1.230. Considerando o total de ocupados, os pretos ou pardos ganhavam, em média, 42,2% menos do que os brancos (R$ 1.567 frente a R$ 2.710).

Em 2020, impulsionado pela Lei Aldir Blanc, investimento estadual em cultura cresceu 52,4% na BA, foi o maior em 10 anos e o 2º mais alto do país

No ano de 2020, mesmo com a pandemia de COVID-19, que afetou bastante o setor cultural, os investimentos públicos estaduais em cultura, na Bahia, cresceram 52,4% em relação a 2019, chegando a R$ 250,5 milhões, frente ao valor de R$ 164,4 milhões no ano anterior (mais R$ 86,1 milhões).

Esse aumento no investimento estadual se deu, em grande medida, graças ao advento da Lei nº 14.017, mais conhecida como Lei Aldir Blanc, que previa auxílio emergencial ao setor cultural, determinando o repasse de R$ 3 bilhões aos estados e municípios. Todas as 27 unidades da Federação apresentaram aumento no investimento estadual em cultura na passagem de 2019 para 2020.

O valor investido pelo governo estadual baiano no setor no ano passado (R$ 250,2 milhões) também foi o maior desde o início da série histórica dessa informação, em 2009, depois de ter chegado ao menor patamar em 2019.

O crescimento absoluto no investimento estadual em cultura, na Bahia, entre 2019 e 2020 (+R$ 86,1 milhões) foi o quinto maior do país no período, atrás de São Paulo (+R$ 216,9 milhões), Minas Gerais (+R$ 115,4 milhões), Goiás (+R$ 88,5 milhões) e Rio de Janeiro (+R$ 86,2 milhões).

Com esse aumento, a Bahia voltou a ser, em 2020, a segunda unidade da Federação cujo governo estadual mais investia em cultura no país, ultrapassando o Distrito Federal (R$ 179,1 milhões), e ficando atrás apenas de São Paulo (R$ 999,2 milhões).

O investimento estadual da Bahia em cultura representou, em 2020, 7,0% do total despendido pelos governos estaduais em todo o país (R$ 3,6 bilhões).

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