Descuido de medidas de prevenção deve levar a aumento de casos de COVID-19

Com a chegada do verão, as notícias de aglomerações nas praias, bares e festas, especialmente em localidades turísticas se tornam mais recorrentes e a possibilidade de aumento de casos de Covid-19 já se materializa no Brasil e na Bahia. Embora as esperanças estejam depositadas na vacinação, no Brasil ainda não há uma definição sobre ela. Nesse cenário, o infectologista da S.O.S. Vida, Matheus Todt, alerta: não existe no momento uma medida melhor contra a pandemia do que o distanciamento social.

“As medidas de isolamento social são indiscutivelmente as mais eficazes no controle da pandemia, além da vacina. O problema que vemos agora e que preocupa é que essas medidas estão atrasadas ou são pontuais, tímidas e lentas, reduzindo a efetividade. Além disso, há um relaxamento nos cuidados como higienização constante das mãos e uso de máscara, o que infelizmente pode sim resultar num aumento da transmissão da doença e de mortes”, alerta Matheus.

O médico salienta que o Reino Unido, que já está com a vacinação sendo realizada acabou de anunciar um novo lockdown ao ver os números de casos crescer.

“Aqui no Brasil ainda não temos uma perspectiva concreta da vacinação, e ainda não estamos sentindo os resultados das aglomerações de fim de ano, pois os sintomas do vírus começam a aparecer em média 7 dias após a exposição. Ou seja, o cenário é muito preocupante. E o que mais assusta é que ninguém está assustado”, preocupa-se.

A infectologista da S.O.S. Vida, Monique Lírio, afirma que a segunda onda na Europa já comprovou o que esse relaxamento das medidas de higiene e afastamento social pode gerar.

“Vimos que na Europa os casos começaram a baixar bastante em um determinado período. Como eles estavam próximos ao verão, as pessoas começaram a sair mais, viajar, e isso fez com que a Covid-19 voltasse fortemente em muitos países. Aqui no Brasil não chegamos nem a ter essa baixa substancial de casos, mas o que vemos é que muitas pessoas estão saindo e se comportando como se o vírus não estivesse mais circulando”, aponta.

Monique salienta que é importante que, para além das medidas do poder público, as pessoas mantenham a responsabilidade individual de tomarem os cuidados indicados para controle da pandemia, protegendo a si mesmas e aos outros.

“A sensação que temos é que as pessoas perderam o medo da doença, mas é importante destacar que ela ainda está em um cenário muito grave e cabe a cada um não relaxar dos cuidados. Estamos em um país no qual muitas pessoas são dependentes do transporte público e precisam de seu trabalho diário para sobreviver, por isso não podem deixar de sair. O problema é sair sem necessidade e fazer grandes aglomerações, sem cuidados como a lavagem das mãos e a máscara”, enfatiza.

Locais turísticos – Uma preocupação é com o número de pessoas que têm ido para lugares pequenos fazer turismo e acabam se aglomerando, causando a transmissão em massa do vírus.

“É muito provável que as pessoas se aglomerem se o local é pequeno e tem muita gente circulando. Além disso, são cidades muitas vezes sem UTI, e as pessoas que moram lá e precisarem de atendimento vão ter que ser deslocadas para outros municípios, com grande risco de superlotar os leitos”, alerta Matheus.

Ele aponta que o fechamento dessas localidades para a entrada de turistas seria a melhor alternativa tanto para a saúde pública quanto para a economia. “Pelos estudos que temos de outras epidemias é possível verificar que quando você faz o fechamento de uma forma contundente, isso faz com que a epidemia seja mais rapidamente controlada e a economia se normalize mais cedo”, pontua. 

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