Aniversário de Madre de Deus: Marden Lessa fala sobre memórias e política em entrevista

O Diário da Metropolitana conversou com o vereador Marden Lessa (PSB) por ocasião do aniversário de 31 anos da cidade. No papo, o socialista não fugiu das perguntas e ainda relembrou momentos marcantes da historia no município. Além disso, exaltou a democracia e o protagonismo dos filhos da terra. Confira:

Diário da Metropolitana: Madre de Deus completa 31 anos de emancipação. Muita coisa aconteceu nesse período. O que você destaca como mais marcante nesse tempo?

Marden: O mais marcante é ver o meu povo, os filhos de Madre de Deus, trabalhando para crescimento e evolução da cidade como protagonistas e não como muitos pensavam que seríamos, meros coadjuvantes. Os Filhos de Madre hoje são quem fazem a “festa” acontecer.

D.M.: A sua história de vida está bastante ligada a história da cidade. O que você mais sente falta e se tivesse oportunidade gostaria de resgatar?

Marden: Posso citar várias coisas, mas dentre elas podemos destacar o Baba do Corta pé, com mais de 50 de cada lado. Eu, na época pré-adolescente, emprestava minha bola de couro para os adultos jogarem. Também tinham as comédias de Dona Lêda (in memoriam), Dona Nalvinha e Dona Bebé; a festa de Natal, no Alto da Matriz; a tradição de tomar a bênção dos mais velhos na Sexta-feira Santa para ganhar dinheiro; o famoso jejum; o Pau-de-Sebo; Queima de Judas; as apresentações dos grupos Filhos da Luz e Renascer; a Festa da Rua 7 de Setembro; as meninas do Gera; a BAMAD; a roupa de papel crepom no bloco Toma Sopa e tantas outras.

D.M.: O seu mandato já fez muito pela comunidade de Madre de Deus. Quais são as principais indicações e projetos que você pode destacar nesses quase oito anos de atuação no Poder Legislativo?

Marden: Fiz muitas indicações e projetos. Lembro de quase todos. Algumas são especiais por ajudar a população a desempenhar suas qualidades, a exemplo do concurso de quadrilhas juninas. Também apresentei projetos como o IPTU Verde, proibição de jogar lixo no chão e vários outros. Enquanto presidente da Câmara, criei a Escola do Legislativo, a primeira em todo o estado da Bahia. Os projetos de lei e indicações precisam contar com a boa vontade do prefeito, na maioria das vezes. Por isso, há anos, estamos lutando pelo Orçamento Impositivo. Acho que dessa vez vamos conseguir aprovar.

D.M.: Muita coisa mudou nos últimos meses em Madre de Deus. Jeferson Andrade foi afastado pela justiça e Jailton Santana assumiu como prefeito. O que mudou com a saída de Jeferson Andrade e a chegada de Jailton Santana ao Poder Executivo Municipal?

Marden: Mudou tudo! Jailton é um ser humano e Jeferson outro, são pessoas que pensam diferentes, afinal somos diferentes um dos outros. Acho que Jailton, apesar de assumir na pandemia, vem desempenhando o seu trabalho e mostrando sua marca, sua forma de pensar. Quem olhava nas ações e no corpo técnico de Jeferson enxergava o que ele queria transmitir, assim que acredito que está sendo com Jailton. Sua administração, fala por si o que quer para Madre de Deus. Desejo a ele muita sorte, discernimento e paciência nesse momento em que os madredeusenses mais precisam dele, afinal Deus não o colocaria se não tivesse certeza que ele pode desempenhar essa missão.

D.M.: Dizem que você foi um dos principais articuladores para o enfraquecimento do grupo político de Jeferson Andrade na cidade. Como você avalia essa afirmação?

Marden: Na verdade Jeferson se enfraqueceu ao longo do tempo e ele não percebeu. As pessoas que não detinham mandato e estavam ao lado dele, estavam única e exclusivamente para garantir seus espaços, seus empregos. Os que detinham mandato era por espaços também e por suas indicações, para garantir o emprego daqueles que os acompanham. Mas quem era do grupo de Jeferson sabe o que eu estou falando aqui. Ele era centralizador, autoritário e as pessoas engoliam isso porque precisavam de seus empregos. Ele desfazia de seu irmão, de sua esposa, porque só valia a ideia dele. O projeto da Escola em Tempo Integral foi de um pré-candidato que perdeu as eleições suplementares e depois deu a ele. E sabe o que ele disse no primeiro momento? Que não era possível. Inclusive falou isso em debate. Depois veio a Escola em Tempo Integral. Nunca deixou nenhum de nós se viabilizar no processo, por isso, ele sozinho se enfraqueceu . Esperamos só o momento certo para deixar ele afundar com o navio dele, que ele sempre achou ser o navio dos EUA, a maior potência do mundo. Por isso ele caiu, por soberba.

D.M.: Com o enfraquecimento do grupo Jeferson Andrade, a pré-candidatura de Nita a Prefeitura também perdeu força. As eleições municipais em Madre de Deus caminham para ser de um candidato só, neste caso, o Dailton Filho?

Marden: Acredito que Nita não irá desistir, pois se fizer mostra que só sairia com máquina na mão e, sem ela, será mero jogo de negociata. Por isso, acho que ela não desista, sem falar que existe a candidatura de Sinho, que mesmo quase não aparecendo nas pesquisas, precisa ser respeitado. Não é bom para a democracia uma chapa só, por isso acredito na disputa e luto por isso, assim o debate chegará ao povo para que eles possam fazer o juízo de valor.

D.M: Você e várias lideranças já declararam apoio ao grupo do atual pré-candidato a prefeito Dailton Filho. Agora surgem rumores de que Jailton Santana, que também declarou apoio a Dailton antes de assumir como prefeito, pode lançar a candidatura própria. Como essa notícia tem soado nos bastidores do poder?

Marden: Como não posso falar por ele e nem por Dailton, vou colocar um pouco do meu pensamento.
Primeiro acredito mais nas palavras dos homens do que em qualquer documento assinado por eles. Então, me declarei primeiro Dailton que Jajai, apesar de que ele já era oposição a mais tempo do que eu. Porém, ele ainda era pré-candidato. Em seguida, ele retirou o nome para caminhar com Dailton. Então, eu acredito na palavra de Jajai e sei muito que isso parte daqueles que acabaram de sair do poder, pois seria a chance de tentarem voltar ao poder, com isso estariam junto Jajai com o grupo que o expulsou. Não sei se ele iria, mas acredito, como disse no início, que só ele para poder dizer algo de concreto sobre isso.

D.M.: Você está no seu segundo mandato como vereador. Nesse período, foi líder de governo e presidente da Câmara. Quais são os planos para o futuro na política?

Marden: Primeiro, iremos tentar a reeleição. Tudo dando certo, estaremos à disposição de Dailton, onde ele achar que devo atuar para ajudar ele a governar, estarei. Seja na Câmara, enquanto vereador, seja licenciado para assumir alguma secretaria.

D.M.: O seu nome sempre apareceu bem posicionado, entre os três primeiros, nas pesquisas de intenção de votos para prefeito. É verdade que houve convite do grupo de Dailton Filho para que você possa compor a chapa majoritária como vice-prefeito? E você, acha o projeto interessante?

Marden: Sim, na primeira conversa com ele, ele me fez o convite. Na época eu era pré-candidato a prefeito e ele tbm. Daí disse a ele que agradecia e me sentia lisonjeado, mas que naquele momento era momento de nós dialogarmos o melhor projeto para Madre. Na época, sabia que se eu aceitasse poderia trazer algum dano na vinda de Jajai ou qualquer outro que pleiteiasse a vaga. Então eu disse que aquilo ali não era um não, mas sim um deixa isso lá pra frente, como foi com Jajai. O projeto, lógico que é interessante, mas eu penso política de grupo e sou soldado dele neste aspecto. O grupo diz o caminho que vou trilhar, apesar de que no final parte de nós a última decisão.

D.M.: Madre de Deus está completando mais um ano de emancipação em um momento delicado. Por causa da pandemia, a comemoração vai ser sem abraço e sem festa. O que dizer a população nesse momento difícil para toda a humanidade?

Marden: Que todos fiquem em casa, cuidem dos seus familiares e que tenhamos consciência e responsabilidade para que logo a gente volte a se abraçar. Estou fazendo minha parte, enquanto homem público e cidadão madredeusense, mas é preciso que a população faça a sua também. Parabéns aos madredeusenses, que fazem essa cidade, denominada de Mãe de Deus, acontecer. Felicidades ao nosso povo!

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